20 mar 2026
Esquel e Toxisphera estabelecem cooperação para lidar com a poluição por plásticos
Segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, diariamente “ o equivalente a 2.000 caminhões de lixo cheios de plástico são despejados nos oceanos, rios e lagos do mundo” o que evidencia que a “ poluição por plástico é um problema global”, sendo que anualmente cerca de “ 19 a 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos vazam para os ecossistemas aquáticos, poluindo lagos, rios e mares” . Para essa agência da ONU “a humanidade produz mais de 430 milhões de toneladas de plástico por ano, dos quais dois terços são produtos de curta duração que rapidamente se transformam em resíduo” com graves impactos para a vida selvagem, os ecossistemas, a saúde humana e a economia global.
Para lidar com a poluição por plásticos, a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em sua quinta sessão (UNEA 5), em 2022, tomou a decisão de estabelecer um Comitê Internacional de Negociação (INC) para se chegar a um tratado global , com obrigações vinculantes, alicerçado “em uma abordagem abrangente que aborde todo o ciclo de vida do plástico, incluindo sua produção, design e descarte”.
Os desafios de se obter um tratado global dessa abrangência requer condições de transparência e governança, por um lado, e políticas públicas e medidas em cada país, por outro, para reduzir a poluição e a dependência da produção de plásticos. Para lidar com esses desafios a Associação Toxisphera de Saúde Ambiental e a Fundação Esquel, firmaram termo de cooperação para execução de atividades e serviços de pesquisa, elaboração de textos, participação em reuniões e eventos, entre outros, com temas relacionados aos posicionamentos alinhamento da posição na negociação do tratado global. No âmbito dessa cooperação, Esquel e Toxisphera também estarão engajadas no acompanhamento e implementação de políticas públicas nacionais consistentes com um tratado abrangente, ambicioso e apropriado para lidar, de modo eficaz, com a poluição e a cadeia produtiva dos plásticos.
Em uma primeira fase, a cooperação Toxisphera e Esquel, realizará a divulgação de informações e de estudos sobre o tema e o diálogo com tomadores de decisões nos Poderes Executivo e Legislativo. As duas organizações também planejam incidir, de forma articulada com redes e organizações da sociedade civil, junto aos negociadores do tratado internacional.
Essa cooperação é potencializada pela colaboração entre Esquel e Toxisphera desde 2023 no âmbito da CONASQ – Comissão Nacional de Segurança Química, na qual as duas organizações compõem (até março de 2026)a representação, junto com a ACPO – Associação de Combate à Poluição, de organizações da sociedade civil do segmento em defesa do ambiente.
Para Zuleica Nycz, diretora da Toxisphera, ex-conselheira do Conama e integrante da Conasq, “os objetivos da cooperação também buscam ampliar a conscientização sobre a necessidade de mudanças em relação à produção e uso de plásticos, encontrando medidas de inovações e práticas que não sejam limitadas às perspectivas de economia circular e de gestão de resíduos”.
Para Rubens Born, representante da Esquel na Conasq, “a cooperação será relevante para que mais organizações da sociedade, membros e agentes públicos de todos os Poderes da República, possam ter as informações apropriadas para o enfrentamento da poluição, que ao lado da crise climática e da degradação da biodiversidade, compõem o quadro da tripla crise ambiental global”. Born destaca também que “é preciso articular as políticas e planos nacionais nesses temas, pois o Plano Clima Brasil, atualizado em 2025, considera que o Brasil terá aumento de emissões de gases de efeito estufaem razão do aumento do uso de energia e produção nos segmentos de plásticos e de petroquímica ao longo da próxima década, o que é contraditório com medidas para cumprir adequadamente o Acordo de Paris”.
