Para ampliar diálogos e oportunidades para a sustentabilidade do desenvolvimento humano e convivência digna com o Semi-árido e outros territórios, busca-se influenciar as políticas de mudanças de clima, de combate à desertificação e de gestão ambiental, inclusive mediante disseminação de conhecimentos e acompanhamento de acordos internacionais e legislação. Em sequência ao envolvimento na realização da Cúpula dos Povos e na Rio+20, como Secretaria Executiva do FBOMS, um dos desafios é influenciar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, impulsionar a implementação dos acordos multilaterais associados à sustentabilidade socioambiental (clima, biodiversidade, desertificação, segurança química, direitos humanos etc) e fortalecer a cidadania global.  A FGEB tem desde 2013 participado das negociações sobre um acordo latino-americano e caribenho em direitos de acesso à informação, à participação e à justiça em matéria ambiental (baseado no Princípio 10 da Declaração da Rio-92). Participa de redes e alianças regionais e globais de organizações da sociedade, como a CAN - Climate Action Network.

 

Uma das dimensões do Desenvolvimento Sustentável mais difundidas é a chamada ecoambiental, cujo objetivo é a conciliação do crescimento com a conservação da natureza. Sobre este ângulo, o combate à desertificação é uma das áreas estratégicas para o alcance de uma sociedade sustentavelmente desenvolvida, como persegue a missão da FGEB.


Segundo a Convenção de Combate a Desertificação (CCD), desertificação é a degradação de terras nas regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas do planeta. Significa a destruição da base de recursos naturais como resultado da ação do homem sobre o seu ambiente e fenômenos naturais como a variabilidade climática. É um processo, quase sempre lento, que mina, que corrói, pouco a pouco, a capacidade de sobrevivência de uma comunidade. A degradação da terra é:

  • a degradação do solo, principalmente por erosão, compactação e salinização;
  • a degradação dos recursos hídricos: água na chuva, nenhuma água na estiagem; piora na quantidade e qualidade da água;
  • a degradação da vegetação: vegetação cada vez mais rala, com crescimento cada vez menor e mais demorado;
  • a degradação da biodiversidade: cada vez menos espécies (vegetais e animais), cada vez menor a capacidade de regeneração.


As razões da ocorrência do fenômeno da desertificação são múltiplas e complexas, mas vale salientar que nosso modelo de desenvolvimento conduz ao estabelecimento do processo e determina sua velocidade de ocorrência.

A seca, como se sabe, é outro tipo de fenômeno. É parte constitutiva das condições climáticas da região. No entanto, a seca pode contribuir para incidência de fenômenos como retardamento (ou mesmo paralisia) dos ciclos vegetativos das plantas e, em áreas que já perderam a cobertura vegetal, tende a aumentar a temperatura do solo e assim afetar a fertilidade natural do mesmo. Logo, seca não é “causa” de desertificação, mas pode atuar como um acelerador dos processos.

No Brasil, os impactos da desertificação são mais sentidos na população e no conjunto da atividade econômica das regiões afetadas – em maior parte localizada no Nordeste do país. É conhecida a quebra de safras, perdas no rebanho (mortalidade, perda de peso), desemprego, redução da renda, entre outros problemas, que se abatem sobre uma população já fragilizada pelas condições sociais e econômicas vigentes na região.

As perdas econômicas (produtivas) ocorridas em períodos de seca podem facilmente alcançar porcentagens significativas do PIB agrícola.

Em resumo, no Brasil, as regiões castigadas pelo processo de desertificação, que ano a ano reduz sua capacidade produtiva, periodicamente, sofre também efeitos de secas mais ou menos intensas e/ou prolongadas.